Percursos para o ensino da gramática no primeiro ano de escolaridade

Às voltas com as palavras

  • Nota Introdutória (+)

    Às voltas com as palavras - Percursos didáticos para a explicitação gramatical no primeiro ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico - é o resultado parcial do trabalho desenvolvido no âmbito do projeto PerGRam – Percursos para o ensino da gramática no primeiro ano de escolaridade, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo Centro de Linguística da Universidade de Lisboa/FCT.

    Os Percursos disponibilizados online constituem um conjunto de recursos didáticos especificamente desenhados com o objetivo de promover atividades de reflexão sobre a língua no primeiro ano do Ensino Básico.

    Ao longo do ano letivo de 2014-2015, foram concebidas e implementadas em sala de aula diversas propostas de trabalho, tendo-se procedido a ajustamentos e alterações decorrentes dessa experimentação e, sobretudo, das sugestões efetuadas pelos professores que colaboraram na sua implementação.

    A adesão às propostas de trabalho, que se revelaram motivadoras e eficazes, quer do ponto de vista dos alunos quer dos professores, justificam plenamente a disponibilização, em acesso aberto, destes recursos didáticos, colocando-os ao dispor de uma comunidade alargada de professores.

    São apresentados três Percursos cujas intersecções e ligações estão representadas num mapa. Para cada um deles definem-se objetivos, indicam-se os conteúdos privilegiados e apresenta-se um conjunto de atividades, visando a consecução dos objetivos definidos.

     

  • Refletir sobre a língua no 1.º Ciclo (+)

    A investigação realizada nos últimos 30 anos tem mostrado a importância do desenvolvimento da consciência linguística no contexto educativo, enfatizando a necessidade de que o trabalho de reflexão sobre a Língua se inicie logo nos primeiros anos de escolaridade. Gradualmente, os resultados da investigação começaram a fazer eco nos domínios da linguística educacional e da didática da língua, conduzindo uma mudança epistemológica no ensino da gramática que obriga a redefinir os seus princípios orientadores. Com essa mudança de paradigma, considera-se que o trabalho de reflexão sobre a língua tem um objetivo triplo: (1)

     

    i) o desenvolvimento da consciência linguística dos alunos, num trabalho de observação, comparação e manipulação de dados, para descoberta de regularidades no funcionamento da língua;

    ii) a sistematização e a explicitação dessas regularidades, sem implicar necessariamente o uso de terminologia gramatical;

    iii) a mobilização dos conhecimentos adquiridos na compreensão e na produção de textos orais e escritos.

     

    Uma vez que as aprendizagens escolares, particularmente da leitura e da escrita, exigem necessariamente o funcionamento da consciência linguística, “estimular a reflexão linguística na escola torna-se, portanto, uma necessidade vital que urge fomentar” (Sim-Sim, 1998: 215).(2)

    Alguns trabalhos recentes têm mostrado que há um caminho alternativo ao ensino tradicional da gramática,(3) que não passa necessariamente pela apresentação de uma definição, com a subsequente realização de exercícios de treino, ou pela realização de simples tarefas de classificação (como, por exemplo, sublinhar os nomes e rodear os verbos num determinado texto). Desde muito cedo, os alunos estão aptos para realizar tarefas de observação, manipulação e sistematização de dados linguísticos, desde que devidamente orientados para o efeito.(4)

    São, assim, necessárias estratégias de ensino que concretizem a exploração do conhecimento gramatical dos alunos através de atividades que promovam a atividade metalinguística, ou seja, a reflexão sobre a língua, numa perspetiva de ensino pela descoberta.(5)

     

  • Princípios orientadores (+)

    Os Percursos aqui apresentados inscrevem-se metodologicamente na perspetiva do ensino pela descoberta e apoiam-se em seis princípios orientadores para o ensino da gramática:(6)

     

  • 1. Contextualização das reflexões sobre a língua; (+)

    A articulação entre a reflexão sobre a língua e as competências de compreensão e de produção textual constitui uma das dificuldades na prática em sala de aula. Contudo, apenas essa articulação permite que o ensino e aprendizagem da gramática cumpra o seu objetivo instrumental, ou seja, fazer com que o desenvolvimento progressivo da consciência linguística e do conhecimento explícito desempenhe o seu papel fundamental no desenvolvimento das competências de uso da língua.

    Neste sentido, a reflexão sobre a língua não constitui um fim em si mesma e, para que as aprendizagens façam sentido, é necessário que sejam contextualizadas em atividades de oralidade, escrita e leitura.

    Nos Percursos aqui desenhados privilegia-se a contextualização das atividades de reflexão sobre a língua ao ancorar o trabalho de exploração gramatical no âmbito do trabalho realizado em torno de uma história que se constitui como contexto significativo para as atividades propostas.

    Assim, todos os percursos partem da exploração de um texto, que supõe previamente a sua leitura integral, sendo apresentada, na secção Preparação para a atividade, uma proposta de dinamização mínima do livro, o que não obsta a que esse livro seja alvo de um trabalho mais amplo a que se associa a sequência de atividades de reflexão sobre a língua.

    Será desejável que os livros indicados possam ser contemplados na planificação anual do professor e possam integrar rotinas como a Hora do Conto, Ler, Contar e Mostrar, Biblioteca da sala, Círculo de leitura, entre outras, que estejam em funcionamento na sala de aula.

     

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Abril 2016